Por que temos tantas dificuldades ao ler alguns textos da Bíblia?

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Você já deve ter notado que, mesmo quando a gente tem a Bíblia como um conjunto de livros muito próximo de nossa vida, mesmo que cada um desses livros tenha sentido para a nossa devoção e pregação, mesmo que a tradição cristã tenha fornecido as interpretações que usamos para ler esses livros, ainda assim ficamos sem entender muita coisa.

É natural que surjam dúvidas e dificuldades para entender e interpretar muitos textos da Bíblia. Por exemplo, por que Deus envia um espírito maligno para atormentar o rei Saul se isso entra em direta contradição com a ideia que temos de que espíritos malignos são enviados por Satanás? Afinal Jesus foi crucificado ao meio dia ou as três horas da tarde? Judas se enforcou ou caiu e se espatifou no chão? Com que mulheres os filhos de Adão se casaram? E por aí vai.

É claro que não dá para tirarmos todas as dúvidas de uma vez só e, mesmo assim, se pudéssemos, outras dúvidas ficariam de fora. Mas podemos fazer uma coisa: compreender as causas que dificultam a nossa leitura da Bíblia e, ao compreendê-las, buscar auxílio e estudo.

Bíblia

Para facilitar, vamos enumerar pelo menos duas principais dificuldades:

1. Os textos são muito antigos

Primeiro temos que saber que o texto não começou como texto. Como assim? É simples, o texto começou como história contada de geração para geração. Isso significa que quando Deus se revelou, em ações e eventos, as pessoas começaram a contar o que experimentaram uns para os outros, para só depois essa história contada virar texto escrito. Portanto, o texto começou na verdade como história oral, falada. O que demonstra como o texto é mais antigo do que pensamos. O que está escrito já é bem antigo, com séculos de existência, imagina quando era só história oral.

Agora fique imaginando como devia ser o modo de viver e a mentalidade dessas pessoas naquela época. Pense como poderia ser a cosmovisão (visão de mundo, jeito de perceber o mundo) naquelas eras distantes de nós. Imaginou? Pois é, a cosmovisão era bem diferente em muitas coisas da nossa cosmovisão. Naquela época, por exemplo, se acreditava, sem nenhuma dúvida, que o planeta Terra seria como uma plataforma plana com o céu por cima, sendo que as estrelas estavam “penduradas” por algumas linhas. Quase todos compartilharam dessa crença, por muitos séculos. Hoje, por outro lado, quase todo mundo sabe que o planeta é esférico e que as estrelas são “bolas” de gases incandescentes. Outra coisa é que naquela época ninguém tinha ideia de como se formava um relâmpago. Atualmente até uma criança que estuda sabe explicar.

Poderíamos fazer uma lista imensa de diferenças entre o jeito de pensar dos antigos e o nosso jeito. Mas uma coisa é certa, essas diferenças criadas pelo tempo levanta uma enorme barreira para entendermos o texto da Bíblia que estamos lendo. O melhor mesmo seria se, cada vez que fossemos ler o texto, pudéssemos ter uma noção melhor sobre como eles pensavam e como acreditavam.

2. Os textos foram escritos em outras línguas

Outro problema para a leitura da Bíblia é que os textos foram escritos em línguas “mortas”. Sim, isso mesmo! Tanto o hebraico utilizado para escrever o Antigo Testamento como o grego utilizado para escrever o Novo Testamento, não são mais falados ou escritos. O hebraico atual, assim como grego atual, são bem diferentes. Além disso, quando se traduz um texto de uma língua para outra, perde-se muito do sentido original. Isso já acontece na tradução de uma língua moderna para outra, como por exemplo do inglês para o português, imagina de uma língua antiga para uma moderna.

Existem palavras que são difíceis de traduzir com o seu sentido original quando não temos uma palavra equivalente ou um sentido equivalente na língua para a qual essa palavra está sendo traduzida. No grego existem palavras que deram origem a muitas outras palavras em português, como “cardia” – coração (cardiologia, eletrocardiograma, cardiopatia), “oftalmos” – olhos (oftalmologia), ou “geos” – terra (geografia, geologia). Mas, por outro lado, muitas outras palavras são “intraduzíveis” ou não tem equivalência, como as que tem muitos sentidos. Exemplo podemos encontrar na palavra “logos” que pode significar estudo, razão, verbo e, mesmo assim, nenhuma delas traduz de forma exata o significado original. Ou ainda as palavras “filos”, “ágape” e “eros” que, apesar de diferentes, são todas traduzidas em português como “amor”.

No hebraico a coisa piora muito. Se o grego é fonte para muitas palavras em português, o mesmo não acontece com o hebraico. Isso sem contar que o hebraico é uma língua que, no Antigo Testamento, é muito mais próxima da oralidade e da poesia do que da escrita e da prosa. A narração das histórias não é “historiográfica”, ou seja, não se preocupa em contar as histórias em registros exatos e como se estivesse descrevendo algo como em uma dissertação científica. A narração estava mais aparentada com a poesia e a com um jeito de contar as coisas como se estivessem mais preocupados com o sentido profundo, com a mensagem que essas histórias queriam passar.

Aliás, se um dia você aprender alguma coisa de hebraico, verá que as vogais na sua forma escrita foram inventadas depois, para serem utilizadas nas cópias manuscritas do Antigo Testamento. Inclusive, o hebraico atual nem utiliza vogais na escrita. O israelense não precisa de vogais escritas, pois ele já sabe quais vogais devem estar lá quando lê. Isso acontece porque o hebraico tem esse passado muito mais próximo com a oralidade do que com a escrita.

Existem muitas outras dificuldades para a leitura da Bíblia. Outras vamos deixar para a próxima vez.

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